Desarticulação em colatina revela método cruel de facção criminosa que tentava dominar mercado de internet e expandir influência territorial com violência e intimidação
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia de Infrações Penais e Outras (Dipo) de Colatina, desmantelou um sofisticado esquema criminoso que operava cortes de cabos de internet para impor um serviço clandestino na cidade. As investigações, concluídas na última sexta-feira, revelaram que a ação era liderada por um traficante, com a finalidade de forçar moradores a contratar a rede ilegal controlada pela organização criminosa, conforme apurado pela Polícia Civil do Espírito Santo.
A operação criminosa apresentava características de facções e milícias privadas, com atuação estruturada, divisão de tarefas, intimidação armada e imposição de domínio territorial. Os pormenores da investigação e a atuação dos envolvidos foram divulgados em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
O delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, ressaltou que a atuação integrada das forças de segurança foi desencadeada após informações sobre a tentativa de organizações criminosas expandirem suas atividades para além do tráfico de drogas.
No início do ano, recebemos informações de que uma facção criminosa buscava ampliar sua atuação para a exploração clandestina do serviço de internet. Diante disso, as Polícias Civil e Militar atuaram de forma firme e imediata para impedir esse tipo de prática no Espírito Santo.
Jordano Bruno enfatizou que a resposta das forças de segurança visa coibir qualquer tentativa de domínio territorial por grupos criminosos. A conduta, embora possa parecer de menor gravidade inicialmente, é vista como um passo para o controle territorial e imposição de serviços.
Ainda que, em um primeiro momento, a conduta possa aparentar menor gravidade, esse tipo de prática pode evoluir para tentativas de controle territorial e imposição criminosa de serviços. Isso não será admitido no Estado do Espírito Santo. Qualquer indicativo de atuação criminosa voltada ao controle de serviços ou territórios será combatido de forma rigorosa pelas forças de segurança.
O delegado-geral informou que todos os envolvidos foram identificados e responsabilizados criminalmente. Parte dos indivíduos já foi detida, enquanto outros permanecem procurados pela Polícia Civil, que segue em diligências.
Todos os investigados foram identificados e estão sendo indiciados pelos crimes apurados. Parte deles já foi presa e outros seguem sendo procurados pela Polícia Civil. As equipes permanecem em diligências para localizar todos os envolvidos e retirá-los de circulação.
A colaboração da população também foi destacada por Jordano Bruno como fundamental, incentivando denúncias anônimas via Disque-Denúncia 181.
A colaboração da população é fundamental. Informações relacionadas à exploração clandestina de serviços, atuação de organizações criminosas, comércio ilegal ou qualquer tentativa de imposição territorial devem ser repassadas por meio do Disque-Denúncia 181. Todas as denúncias serão tratadas com prioridade pelas forças de segurança pública.
O superintendente de Polícia Regional Noroeste (SPRNO), delegado Arthur Bogoni, explicou que a investigação identificou a ação de um grupo criminoso com vínculos ao tráfico de drogas que tentou intimidar moradores para impor um serviço clandestino de internet em Colatina.
Em Colatina, nós identificamos uma facção criminosa chamada ‘Tropa do Urso’. O líder dessa facção e o segundo homem do grupo possuem mandados de prisão em aberto e já foram identificados. Eles atuam no tráfico de drogas e possuem envolvimento em homicídios.
De acordo com Bogoni, as ações de vandalismo foram iniciadas no começo do ano, visando forçar a adesão dos moradores ao serviço ilegal.
Eles cortaram fios de internet e ameaçaram moradores, dizendo que deveriam utilizar a internet que eles forneceriam. As pessoas que participaram dessas ações foram identificadas, indiciadas e responderão pelos crimes praticados.
O delegado enfatizou que a rápida atuação das forças de segurança frustrou a tentativa de implantação do serviço clandestino.
Essa internet jamais chegou a ser materializada. Eles primeiro destruíram a estrutura existente e tentaram intimidar a população. Depois pretendiam criar uma estrutura própria de fornecimento, mas não conseguiram. Foi uma tentativa frustrada de construir uma espécie de milícia para controlar serviços públicos em Colatina.
As investigações apontaram o envolvimento direto de dez adultos nos atos criminosos. Eles foram identificados e indiciados, e a Justiça decidirá se responderão presos ou em liberdade.
No caso específico do vandalismo contra os fios de internet, dez adultos foram identificados e indiciados. Eles foram apresentados à Justiça, que decidirá se responderão presos ou em liberdade.
Um dos investigados é apontado como o mandante direto dos ataques e responsável por ameaçar moradores. Os envolvidos responderão por crimes como dano, interrupção de serviço público de telefonia e participação em organização criminosa. No caso do mandante, também foi registrado indiciamento pelo crime de ameaça.
Arthur Bogoni ainda salientou que as operações policiais contra os integrantes da organização criminosa continuam semanalmente, resultando em prisões e prejuízos constantes ao grupo.
Semanalmente, a Polícia Civil e a Polícia Militar realizam operações contra o tráfico de drogas em Colatina. Essas ações têm causado prejuízos constantes à organização criminosa e resultado em prisões frequentes de pessoas ligadas ao grupo.