Investigadores apontam fragilidades na colaboração do banqueiro, que teria ocultado dados sobre repasses a parlamentares e diálogos estratégicos para evitar a exposição de figuras políticas
A Polícia Federal recusou a proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, implicado no ‘Caso Master’. A decisão foi comunicada aos advogados de Vorcaro e ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal. O material foi considerado insuficiente pelos investigadores, que identificaram poucas informações inéditas e uma aparente intenção de proteger indivíduos próximos, segundo informações da CBN.
A recusa da PF fundamenta-se na avaliação de que a proposta de delação do empresário era fraca. Detalhes importantes foram omitidos, apesar de já terem sido descobertos pelas investigações. Entre as lacunas apontadas, destaca-se a falta de menção a um pagamento de mesada no valor de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira, filiado ao Progressistas.
Além disso, o banqueiro também não revelou diálogos com o senador Flávio Bolsonaro sobre o financiamento de uma produção cinematográfica. O filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro estava orçado em R$ 134 milhões, e sua omissão no acordo de colaboração foi considerada grave pelas autoridades.
Apesar da posição da Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém a análise do caso. A defesa de Daniel Vorcaro ainda pode dar prosseguimento à negociação junto à PGR, que tem autonomia para decidir sobre a aceitação ou não do acordo de delação premiada, independentemente da avaliação inicial da PF.