Células de inteligência criminosa que usavam aplicativos de mensagens para mapear cada movimento das forças de segurança foram neutralizadas
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul efetuou oito prisões e cumpriu dez mandados de busca e apreensão, além de nove de prisão temporária, na manhã de terça-feira (12/05), durante a Operação Contra-Ataque. A iniciativa, coordenada pela Delegacia de Polícia de Venâncio Aires, teve como alvo um grupo criminoso com atuação em tráfico de entorpecentes e monitoramento sistemático das movimentações policiais, conforme divulgado pela Polícia Civil.
As ações judiciais se estenderam pelas cidades de Venâncio Aires, Gravataí e São Leopoldo. Dois dos mandados foram executados no interior da Penitenciária Estadual de Venâncio Aires, com a colaboração da Polícia Penal, reforçando a abrangência da investigação.
Inteligência do crime e as “campanas digitais”
A investigação, liderada pelo Delegado Guilherme Dill, revelou uma estrutura complexa dedicada não apenas ao tráfico de drogas e à associação para o tráfico, mas também ao acompanhamento constante de viaturas e agentes. O grupo empregava aplicativos de mensagens para compartilhar informações em tempo real sobre deslocamentos, operações e a rotina das forças de segurança.
Foi constatado que o esquema incluía a manutenção de uma rede de “campanas digitais”. Por meio dela, os criminosos disseminavam dados sobre veículos descaracterizados, locais de refeição dos policiais, itinerários em bairros e proximidades de delegacias. Essa estratégia visava facilitar a atuação do tráfico de drogas e, ao mesmo tempo, dificultar as operações policiais, alertando até sobre a presença ou saída de viaturas da Delegacia de Polícia.
A apuração que levou à Operação Contra-Ataque teve início em 2024, após a apreensão de um aparelho celular durante o cumprimento de um mandado judicial. A análise técnica dos dados extraídos do dispositivo permitiu identificar conversas, grupos de mensagens e outros elementos cruciais que evidenciaram a atuação contínua da organização criminosa.
O Delegado Dill enfatizou a gravidade das ações criminosas:
“A participação em grupos destinados ao monitoramento de policiais, compartilhamento de informações sobre viaturas e auxílio à movimentação do tráfico de drogas demonstra colaboração direta com a atividade criminosa, podendo configurar o crime de associação para o tráfico de drogas, cuja pena pode chegar a 10 anos de reclusão, a depender das circunstâncias apuradas durante a investigação.”
A operação mobilizou cerca de 40 policiais civis, contando com o apoio de Delegacias da regional de Santa Cruz do Sul, Draco/São Leopoldo, 2ª DP de Gravataí e Draco/Lajeado, demonstrando uma força-tarefa integrada para desarticular a rede criminosa.