Ministério público do Tocantins se manifesta contra publicação da Folha de S.Paulo em meio a luto nacional por magistrada e debate sobre ética jornalística
Uma nota pública de repúdio foi divulgada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) em resposta à repercussão de uma charge publicada pela Folha de S.Paulo. A imagem, que ironizava a remuneração da magistratura usando a representação de uma lápide, gerou forte desaprovação por ter vindo à tona poucos dias após o falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. O órgão manifestou seu posicionamento, conforme noticiado pelo Jornal Opção.
A instituição declarou que é inadmissível tolerar “desrespeito e ironia diante da perda de uma vida”, uma postura que se estende ao luto vivenciado pela família e colegas da magistrada. O MPTO, ao mesmo tempo em que reconhece e valoriza a independência da imprensa, dos veículos de comunicação e dos colunistas de opinião, enfatizou a necessidade de “sensibilidade, humanidade e respeito” em situações de tamanha delicadeza.
Mariana Francisco Ferreira, que tinha 34 anos, faleceu após complicações de um procedimento de fertilização in vitro realizado no interior de São Paulo. A morte da juíza, ocorrida em uma semana que antecedeu o Dia das Mães, intensificou o impacto da charge, amplificando o sentimento de ofensa entre os membros do Judiciário.
A solidariedade à magistratura e aos demais órgãos do sistema de Justiça foi ressaltada na nota do MPTO. Não apenas o Ministério Público, mas também outras entidades de peso no cenário jurídico brasileiro manifestaram-se contra o conteúdo da publicação. Entre elas, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) criticaram a charge, defendendo a importância da responsabilidade no debate público, especialmente diante de um contexto de luto coletivo.