Mobilidade urbana desponta como pauta definidora para as eleições presidenciais brasileiras de 2026, prometendo um debate focado em novas abordagens para o transporte público e acesso à cidade.
O cenário eleitoral de 2026 no Brasil deverá ter a mobilidade urbana como um de seus eixos centrais de discussão. Diante de desafios como a desigualdade de acesso e a saturação dos modelos atuais, a necessidade de um novo pacto federativo que eleve o setor à categoria de prioridade estratégica é cada vez mais evidente. A integração entre sustentabilidade financeira, inovação tecnológica e responsabilidade ambiental conforma a base para as propostas que devem moldar o futuro do transporte no país.
Novo Marco Legal para o Transporte Público busca eficiência e transparência.
Uma das propostas em discussão visa reformular a regulação do transporte público para combater o déficit histórico do setor. O objetivo é promover maior eficiência, transparência e qualidade nos serviços oferecidos. A iniciativa prevê uma reestruturação tarifária e a criação de diretrizes claras para garantir a segurança jurídica e a gestão eficaz dos contratos de transporte público coletivo.
Sistema Único de Mobilidade e Tarifa Zero propõem democratização do acesso.
Inspirado em modelos bem-sucedidos de setores como saúde e assistência social, o Sistema Único de Mobilidade (SUM) almeja universalizar o acesso ao transporte público. A proposta defende a integração de diferentes modais — incluindo ônibus, metrôs, trens, bicicletas e caminhada — sob uma gestão unificada, tratando a mobilidade como um direito social fundamental. Adicionalmente, a abordagem da “Tarifa Zero” propõe que o financiamento integral do transporte público seja custeado pelo orçamento público, visando democratizar o uso da cidade, reduzir disparidades sociais e desencorajar o uso de veículos individuais.
Descarbonização do transporte alinha-se a metas climáticas e inova na logística.
Alinhada às metas climáticas nacionais, a descarbonização do transporte coletivo foca na substituição de combustíveis fósseis por alternativas mais limpas, como a eletrificação de frotas e o uso de biometano e hidrogênio verde. Na esfera da logística urbana, o plano é diminuir a dependência do diesel por meio da multimodalidade e da implementação de “Zonas de Baixa Emissão”. Essas zonas restringirão o tráfego de veículos poluentes, ao mesmo tempo em que incentivam o uso de frotas elétricas e a ciclologística para otimizar as entregas de “última milha”.
Transporte ferroviário de passageiros é visto como solução interregional.
O estímulo ao transporte ferroviário intrarregional é apontado como um meio eficaz para reconectar cidades e regiões metropolitanas. Essa modalidade oferece alta capacidade de transporte e menor emissão de carbono, aliviando a pressão sobre as rodovias e reduzindo os custos de deslocamento para quem viaja diariamente entre casa e trabalho. O investimento em ferrovias também pode impulsionar a indústria nacional e o turismo regional.
Mobilidade ativa e segurança no trânsito ganham destaque.
A agenda de mobilidade urbana também prioriza investimentos em infraestrutura para mobilidade ativa, como ciclovias e espaços para caminhada. A implementação da Estratégia Nacional da Bicicleta (ENABICI) é considerada crucial para integrar o uso da bicicleta às políticas de educação e turismo. Paralelamente, a segurança no trânsito adota o conceito de “Visão Zero”, baseado no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PNATRANS), que estabelece que nenhuma morte no trânsito é aceitável. As ações incluem redesenho viário, controle de velocidade, fiscalização intensificada e revisão de projetos de engenharia para proteger os usuários mais vulneráveis.
Suzana Nogueira, urbanista e coordenadora-adjunta do Núcleo Mobilidade Urbana do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, destaca que a convergência dessas propostas representa uma oportunidade histórica para uma transformação estrutural. Ela aponta que o acúmulo de experiências municipais bem-sucedidas e o avanço das tecnologias limpas fornecem a base para que candidatos apresentem soluções viáveis. Se bem executada, essa agenda tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento econômico, diminuir desigualdades e elevar a qualidade de vida nas cidades brasileiras.