Ex-governador Romeu Zema intensifica sua retórica antissistema, visando o eleitorado conservador após a ação da Polícia Federal que envolve o Banco Master e figuras políticas proeminentes

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, aproveitou a recente operação da Polícia Federal que investiga o Banco Master e teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para solidificar sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista. A estratégia do político visa ampliar sua base de apoio e, ao mesmo tempo, pavimentar o caminho para uma possível aliança como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), embora existam incertezas entre os aliados do senador sobre essa parceria, conforme revelado pela Folha.

A tática de Zema inclui desafiar abertamente políticos de Brasília e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-os de “intocáveis”. Ele tem se diferenciado de Flávio Bolsonaro, que busca um tom mais moderado para mitigar a rejeição associada ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa diferenciação é marcada por embates diretos com a Suprema Corte e declarações polêmicas, como a que manifesta apoio ao trabalho infantil.

“Eu tenho sido o pré-candidato que mais tem colocado a boca no trombone, eu não tenho rabo preso.”

A afirmação de Zema, feita nesta quinta-feira (7), após a operação, critica o presidente Lula (PT) por suposta omissão na crise do Master. Contudo, suas declarações impactam também adversários dentro do próprio campo da direita. Em vídeos divulgados nas redes sociais, o ex-governador reforçou a pauta anticorrupção, projetando que o tema será decisivo nas eleições de outubro. Embora não mencione Ciro Nogueira nominalmente, Zema exibe uma fotografia do senador ao lado de Felipe Vorcaro, primo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, enquanto profere acusações contra “políticos vendidos”, “raposas velhas que só querem te roubar” e “safados” que encobrem fraudes.

Detalhes da investigação e as suspeitas contra Ciro Nogueira

As investigações da Polícia Federal apontam para a suspeita de que Ciro Nogueira, que ocupou a pasta da Casa Civil durante a gestão Bolsonaro, recebia valores de Felipe Vorcaro. Além disso, as apurações indicam o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, incluindo viagens em jatinho. O nome de Ciro Nogueira foi abalado pela operação, o que impacta sua colega de partido, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também era cogitada para a vaga de vice. Contudo, a possibilidade dela integrar a chapa não foi descartada.

O dilema de Flávio Bolsonaro diante da ofensiva de Zema

Aliados de Flávio Bolsonaro divergem sobre a conveniência de ter Zema como vice. Embora o mineiro insista que manterá sua candidatura até o fim, parte dos apoiadores de ambos os lados defende a chapa com o PL. Um dos argumentos favoráveis é a importância de Zema para conquistar votos em Minas Gerais, um estado estratégico em pleitos presidenciais. Em contrapartida, surgem questionamentos sobre a real capacidade do ex-governador de transferir votos a outros candidatos.

Uma pesquisa Genial/Quaest recente, focada no governo de Minas Gerais, mostrou o atual governador Mateus Simões (PSD), ex-vice de Zema e seu candidato apoiado, com apenas 4% das intenções de voto. Este percentual o coloca atrás de Cleitinho (Republicanos, 30%), Alexandre Kalil (PDT, 14%) e Rodrigo Pacheco (PSB, 8%). Além disso, uma eventual chapa com Zema poderia dividir o palanque de Flávio em Minas, já que o ex-governador está comprometido com Simões, filiado ao partido do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD).

O impacto dos embates com o STF na composição da chapa

Outro ponto de atrito levantado pela equipe de Flávio Bolsonaro é o envolvimento de Zema em embates com o STF, o que contradiria os esforços do senador em amenizar sua imagem. Este aspecto, no entanto, é visto de forma ambígua no círculo próximo a Flávio. Dados do Datafolha indicam que 75% dos brasileiros consideram que os ministros do STF detêm poder excessivo. Neste cenário, a postura de Zema em confrontar a corte é encarada por uma ala como um trunfo que o credencia para a vice-presidência.

Um “cacique” da federação União Progressista (União Brasil-PP) avaliou que Zema conseguiu capturar a pauta do enfrentamento ao tribunal, um dos temas mais relevantes para a eleição. Ele prevê um desgaste ainda maior da imagem da corte nos próximos meses. Pressionado por concorrentes da direita e pelo PT, que busca associar a crise do Master ao bolsonarismo, Flávio Bolsonaro reposicionou sua comunicação em relação à operação contra Ciro Nogueira. Inicialmente, sua manifestação pública buscava distanciamento, defendendo apenas as investigações. Posteriormente, em vídeos, o senador cobrou a instauração de uma CPI sobre o Banco Master e direcionou suas críticas ao PT.

Em 22 de maio, durante uma entrevista na Câmara dos Deputados, Zema foi tratado de forma amistosa por parlamentares do PL como um potencial candidato a vice, período em que afirmou que o STF é “incendiário”. Na ocasião, o ex-governador reiterou que manterá sua candidatura, mas expressou confiança na união da direita no segundo turno.

“O próprio Bolsonaro disse que quanto mais candidatos a direita tiver, melhor. Até hoje não teve pedido formal de ninguém pra ninguém, de ser vice, mas eu tenho certeza de que a direita tem bons candidatos e nós estaremos todos juntos no segundo turno.”

By portalpugmil12

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