Edinho Silva, presidente do PT, avalia como “erro” a decisão do partido de não aderir à CPI do Banco Master, em semana de reveses para o governo Lula
O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, classificou como um equívoco a posição do partido em não assinar o pedido para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria o Banco Master. Em declaração ao portal UOL, Silva enfatizou que a legenda deveria ter participado ativamente da formação de comissões investigativas, especialmente diante da gravidade das denúncias.
As declarações de Edinho Silva ocorrem em um momento de significativas derrotas para a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional. Nos últimos dias, o Senado Federal, sob a condução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), rejeitou a indicação do ministro Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Pouco depois, o Congresso Nacional derrubou um veto presidencial que beneficiava condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
“O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, afirmou Edinho Silva, que também coordena a campanha de reeleição de Lula. Ele acrescentou que, considerando a seriedade das acusações, as bancadas partidárias deveriam ter liderado a proposição de investigações parlamentares.
Críticas ao Congresso e à política brasileira
Edinho Silva também criticou a postura do Congresso, que, em sua visão, “vira as costas para a sociedade”. O dirigente petista lamentou o que considera um “esvaziamento” das atribuições do Poder Executivo pelo Legislativo e descreveu o atual modelo político brasileiro como “totalmente destruído”.
Sobre a rejeição de Jorge Messias ao STF, Silva apontou um “grave erro” e “importante instabilidade institucional”, argumentando que a decisão revela a intenção de setores do Congresso de fragilizar o Judiciário e transformar indicações técnicas em disputas políticas.
A derrubada do veto presidencial referente à redução de penas dos envolvidos nos atos golpistas foi vista por Edinho como uma afronta à vontade da maioria da sociedade, que rejeita a medida. Ele relembrou que os responsáveis por tais atos planejaram atentados contra autoridades públicas, incluindo o presidente Lula, e que aliviar a punição ignora a tentativa de ruptura institucional.
Propostas para o Judiciário e o modelo político
Questionado sobre reformas no Judiciário, o presidente do PT defendeu que o Poder em questão deve construir suas próprias reformas, com a participação de juristas, pesquisadores e professores universitários. O objetivo seria combater privilégios e aproximar o Judiciário da sociedade, inspirando-se em modelos internacionais, como o da África do Sul.
Edinho Silva também reiterou a defesa de reformas político-eleitorais, incluindo o fim do modelo atual de emendas parlamentares impositivas, que, segundo ele, transforma o Congresso em um “balcão de negociação” e enfraquece o sistema político. Ele defende a regulamentação de plebiscitos anuais para envolver a sociedade nas decisões orçamentárias e o retorno do voto no partido, em vez de apenas em indivíduos, para evitar a eleição de parlamentares sem propostas concretas.
O dirigente do PT reconheceu a dificuldade do partido em dialogar com a juventude e com novos setores trabalhadores, como motoristas de aplicativo e entregadores, e defendeu a necessidade de humildade e aproximação para reverter essa tendência.
Por fim, Edinho Silva reafirmou a candidatura de Lula à presidência, descartando qualquer hipótese em contrário e apresentando o atual presidente como o mais preparado para liderar o país em um cenário de turbulência mundial.